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Intolerância x alergia

A pediatra Ana Escobar explica por que o intolerante
pode tomar leite e o alérgico não

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Algumas crianças não podem tomar leite de jeito nenhum, porque têm alergia à proteína do leite da vaca. Outras só podem consumir a versão sem lactose, pois são intolerantes. Afinal, qual é a diferença entre essas duas condições?

A intolerância é uma má digestão da lactose, um dos carboidratos presentes no leite, enquanto a alergia é uma reação à caseína e às outras proteínas do leite da vaca, resume a Dra. Ana Escobar, médica pediatra, coordenadora da disciplina de Pediatria Preventiva e Social do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e autora da coleção de livros “Boas-Vindas, Bebê”.

A intolerância é causada pela falta da enzima que digere o leite, a lactase. “Quem não tem essa enzima no intestino não consegue quebrar a lactose em açúcares menores. Por isso a lactose acaba sendo digerida por bactérias. Como elas fazem fermentação, produzem gases e ácidos que causam estufamento, flatulência, dores abdominais e diarreia”, explica a pediatra. “Para evitar esse desconforto, o intolerante pode tomar leite sem lactose.”

Já no caso da alergia, o problema não é digestivo, e sim do sistema imunológico, responsável pelas defesas do nosso corpo. “Quando as proteínas do leite caem na corrente sanguínea, elas são consideradas uma ameaça ao corpo. O sistema imunológico, portanto, ativa suas defesas para se proteger delas”, esclarece a Dra. Ana.

Ao beber leite, o alérgico sente, em instantes, sintomas como urticária, coceira e falta de ar, e pode ter reações perigosas, como o fechamento da glote e o choque anafilático. Por isso, quem é alérgico à proteína do leite da vaca não pode tomar leite jamais – e essa regra vale também para o que não tem lactose. “Existem terapias de dessensibilização, nas quais [com orientação médica e até internação] o alérgico vai recebendo ínfimas quantidades de leite até o organismo entender que a caseína não é uma ameaça. A alergia pode regredir. O nosso organismo tem uma capacidade de adaptação enorme.”

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