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LEITE TIPO A2

O leite que chega ao mercado prometendo ser menos alergênico e mais saudável

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Aos poucos, o mercado vai ganhando opções de leite tipo A2 nas prateleiras. Nós conversamos com o Marcos Vinicius Barbosa da Silva, pesquisador em Bioinformática e Melhoramento Animal na Embrapa Gado de Leite para entender o que esse leite tem de diferente. Veja o que descobrimos.

O que é o leite A2?

O leite contém várias proteínas, como a beta-lactoglobulina, a alfa-lactoalbumina e a caseína. A caseína tem cinco formas diferentes, entre elas a beta-caseína (80% do total), que pode ser do tipo A1 ou A2. O que define se o leite tem um tipo ou outro de beta-caseína é o gene da vaca que o produz, que também pode ser A1 ou A2: quando os alelos estão em duplicidade, ou seja, A2A2 (lembra das aulas de genética na escola?), o leite produzido é considerado do tipo A2.

Há milhares de anos, quando começamos a consumir leite, o gado todo produzia leite do tipo A2. Uma mutação, há centenas de anos, porém, fez com que parte das vaquinhas passasse a produzir a variante A1. É o caso principalmente das raças de origem europeia: a raça Holandesa, o gado mais usado no mundo para produção de leite, tem essa mutação. Já os zebuínos, da Índia e do Paquistão, têm alta incidência do alelo A2.

Ele causa menos alergias?

O leite tipo A1, quando digerido, forma um peptídeo chamado beta-casomorfina-7 (BCM-7), que desencadeia o processo alérgico. Por isso, o leite tipo A2 tem o potencial de ser menos alergênico, uma vez que não gera esse peptídeo. “Por outro lado, de 30 a 40% dos casos de alergia estão relacionados às beta-caseínas”, alerta Marcos Vinicius. Ou seja, ele pode não ser a solução para todo mundo que tem alergia, mas pode ser uma alternativa para esses casos.

Há outros benefícios?

Como resultado da mutação genética, a beta-caseína A2 é produzida a partir de um aminoácido chamado prolina, enquanto a A1, a partir da histidina. Hoje, diversos estudos se dedicam a entender os efeitos benéficos da prolina. São estudos novos e com resultados ainda contraditórios, mas aparentemente, a prolina resulta em uma melhor digestibilidade do leite. Alguns trabalhos revelaram que o consumo da beta-caseína A1 pode agravar os sintomas gastrointestinais em pessoas que são intolerantes à lactose. Há, ainda, estudos relacionando efeitos negativos do tipo A1 para o coração e diabetes tipo 1 em crianças, enquanto a o tipo A2 teria redução drástica nesses efeitos. E não há estudos conclusivos sobre alterações no restante da composição do leite. Para que o tipo A2 tome conta do mercado, ainda é preciso que as pesquisas demonstrem claramente os seus benefícios.

Que tipo de leite temos no Brasil?

Hoje, no Brasil, é predominante a criação de zebuínos, que é o tipo de gado com maior frequência de alelos A2, especialmente raças Gir e Guzerá. Isso quer dizer que pode acontecer da gente tomar leite tipo A2 de algum produtor sem saber. Mas só é possível ter certeza quando a embalagem identifica o leite dessa forma – o que garante que o produtor fez a seleção do gado e testou sua produção. Hoje, a Embrapa dá apoio aos produtores nessa seleção e há pelo menos quatro laticínios no Brasil que comercializam leite tipo A2.

Para saber mais: Melhoramento genético de bovinos permite a produção de leite menos alergênicoLeite A2/A2 – um novo mercado à vistaAntônio F. Carvalho, da UFV: “o leite A2 é um mercado de nicho”.

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